A pandemia do coronavírus está modificando a maneira das pessoas se comportarem nos mais diversos aspectos. Envolvidos no contexto de isolamento social compulsório, crianças, jovens e adultos passaram a vivenciar uma nova e desafiadora rotina juntos. A suspensão das atividades presenciais nas escolas e organizações têm oportunizado ajustes no ambiente familiar, na prática de valores sociais, bem como conexões e possibilidades trazidas pelo avanço tecnológico e praticidades da vida contemporânea.

          Ensinar é uma arte. Aprender, uma conquista. São experiências que exigem colaboração, interação e disposição dos atores envolvidos. Por isso, nunca foram tão necessários criatividade, uso de artifícios lúdico-pedagógicos, materiais e ferramentas tecnológicas que já integram o espaço cotidiano dos alunos e famílias. Segundo a professora Claudia Costin, fundadora e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (Ceipe-FGV), em entrevista publicada pela Fundação Edson Queiroz, da Universidade de Fortaleza, tudo o que acontece na sociedade impacta a educação. A aprendizagem remota, que tem o aspecto positivo de acelerar o modelo híbrido, ao aliar o uso da inteligência artificial à presença do professor em sala de aula, para ela, ainda é insubstituível.

       Na percepção de Costin, será muito importante formar crianças e jovens para a resolução colaborativa de problemas com criatividade. “Isso funciona melhor no processo de ensino de crianças e adolescentes, usando a sala de aula com apoio de tecnologia ou não, mas eles interagindo, aprendendo a trabalhar em grupos, os próprios professores aprendendo a atuar em grupo e resolver, colaborativamente, problemas. Tem toda a questão das competências socioemocionais, as chamadas competências do século XXI, que funcionam melhor quando você tem um adulto como modelo. Então, vai avançar o acesso ao ensino híbrido”, enfatiza.

        É certo que o cenário deixará muitos efeitos na sociedade, dúvidas, mas também a convicção de que a educação não será a mesma, assim como a sociedade e a economia. Então, vamos falar de algumas tendências e possibilidades que o processo de ensino-aprendizagem pode seguir no retorno às atividades presenciais.

Conexões e interatividade em tempo real

       As expectativas sociais sobre as transmissões ao vivo aumentaram significativamente. Em escala global, esse formato prático se estabilizou como grande tendência para as interações interpessoais, e-commerce, trocas de conhecimento, educação remota, atendimento, apresentações pedagógicas, artístico-culturais e muito mais. Isto porque reduz distâncias, o tempo de soluções, otimiza produções, além de possibilitar o exercício de pensamentos diferenciados acerca de criações pedagógicas, interações e expressões do aprendizado.

Ensino on-line

       Os últimos dados do Censo da Educação Superior 2016, divulgados no ano passado pelo Ministério da Educação (MEC), apontam para o crescimento da modalidade on-line na educação brasileira nos últimos anos, em relação ao Ensino Superior. O espaço digital tende a ser ainda mais reconhecido pelo ambiente educacional, como potencial estratégico para ampliar e diversificar as rotinas pedagógicas, assim como promover maior interação dos alunos com a formação tecnológica para os desafios futuros da sociedade.

Reestruturação dos espaços de aprendizagem

       Na perspectiva do cuidado e em atendimento aos protocolos implementados pelas autoridades competentes, os espaços e ambientes físicos da escola tendem a ser  reestruturados para o retorno das aulas presenciais, com redefinição dos mapas de sala, adoção de medidas de distanciamento entre as pessoas, reorganização dos acessos internos, atividades, eventos, bem como a ressignificação do contato pessoal (abraços, apertos de mão), adaptação das rotinas socio-pedagógicas, entre outros.

Ampliação do acesso às informações confiáveis

       Fala-se muito na era da Sociedade da Informação, no grande fluxo que as notícias e o uso das redes sociais alcançam em todo o mundo. Com a disseminação crescente da internet móvel, principalmente nesse período, ficou mais fácil acessar informações de fontes confiáveis, reconhecer as chamadas Fake News (notícias falsas), assim como realizar pesquisas em museus e bibliotecas nacionais e internacionais, e navegar por sites de reconhecidas instituições de diversas áreas do conhecimento.

Uso de metodologias ativas

       A utilização das novas tecnologias está integrada à metodologia usada nas aulas como ferramenta de ensino. No retorno à modalidade presencial, as ferramentas digitais podem ser atreladas aos conteúdos planejados, estruturando aprendizados em formato on-line e offline, mesclando debates virtuais em ambientes físicos, aguçando a curiosidade, fomentando a autonomia e a coparticipação dos alunos, além de promover o exercício de competências pedagógicas e socioemocionais.

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