A pandemia da Covid-19 tem feito com que as crianças e adolescentes permaneçam a maior parte do tempo em casa. Nesse ambiente doméstico, quando não estão na frente das telas, seja televisão, computadores ou celulares, estão ociosas à procura do que fazer. Mas, você sabia que está aí uma grande oportunidade para estimular as habilidades e competências dos filhos?

           A coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Marista Diocesano, Elisabete Ferreira Seixlack, afirma que uma boa maneira para estimular as potencialidades é ofertando tarefas apropriadas, conforme a faixa etária, nos afazeres diários da casa, criando um ambiente que envolva a criança como participante ativo dessas atividades, que podem ser: cuidados com pequenos animais, organização das caixas de brinquedos, cultivo de plantas por meio da jardinagem e organizar e reorganizar espaços como o próprio quarto. “O importante é garantir que a criança participe e ela mesma possa encontrar formas de colaborar.”

           Para Elisabete, desenvolver as habilidades e competências são essenciais e úteis em vários momentos da vida adulta dos filhos, em circunstâncias variadas, seja na dimensão social, profissional ou nas relações interpessoais. Na visão da educadora,“tais habilidades favorecerão a autonomia, a tolerância, a criticidade, a confiança para resolução de problemas, para o enfrentamento das dificuldades que são inerentes na vida adulta.”

           A orientadora educacional da Educação Infantil do Marista Diocesano, Denise Alves Milan, sugere às famílias que aproveitem este período de isolamento social para desenvolver habilidades cognitivas importantes para as crianças, como paciência, concentração, o controle das próprias emoções, aprender a lidar com frustrações e a colaborar com o outro, ajudando nas tarefas da casa.

           “Neste período é importante manter as crianças em movimento. Mesmo dentro de casa, é essencial a prática de atividades físicas. É importante propor e participar junto com a criança de uma brincadeira de circuito, amarelinha, pular corda, dançar ou até mesmo esconde-esconde. Proponha atividades de leitura de forma diária, desvinculando-a do horário das atividades da escola. Oportunize este momento de forma prazerosa, diversificando as formas em que a criança poderá ouvir a história”, destaca Denise.

        Assim como na infância, durante a adolescência também é essencial a participação dos pais para estimular essas habilidades. Elaine Gargi Borges, orientadora educacional dos Ensinos Fundamental e Médio do Marista Diocesano, destaca, entre elas, a autonomia, a partir de atitudes responsáveis, apropriação de seus deveres e compromissos acadêmicos, organização de sua rotina e espaço individual  – quarto, armário, materiais – e o cumprimento dos horários. “Conceder autonomia não significa dar total liberdade, até porque nem todo adolescente está preparado para fazer autogestão de suas atitudes. Por tanto, os pais devem orientar e avaliar se o adolescente está correspondendo às expectativas de ambos. Sendo assim, o diálogo é fundamental para a manutenção do relacionamento e compreensão dos combinados, esta ação configura a competência de relacionamento interpessoal, tão importante para a convivência em sociedade e que é aprendida inicialmente em casa. Permitir que o filho lide com frustrações também é uma forma de ensinar a habilidade da adaptabilidade, flexibilidade e resiliência, conclui.

 

Ideias de atividades e brincadeiras para fazer em casa

  •  Construção de uma pequena hortinha para o manuseio com a terra, observação do desenvolvimento da planta, orientando em relação aos cuidados que esse ser vivo necessita.
  • Experiência do feijãozinho, a fim de estimular a observação, percepção do processo de desenvolvimento de uma planta. Essa experiência é muito prática, pode ser feita em qualquer espaço onde tenha a presença da luz solar e contempla crianças menores.
  • Organização de um espaço para que a criança possa construir brinquedos de sucatas, favorecendo habilidades motoras como: alinhavos, colagem, rasgaduras. Deixar que a criança use e abuse da criatividade em suas produções e depois do trabalho concluído, organizar uma exposição com fotos, socializando-as na família, em grupos de amigos da escola.
  • Construir cabana de lençóis para que a família possa acampar em outro espaço, diferente que o quarto da criança, levar lanternas, se possível no quintal, observar o céu e as estrelas. Filmar o momento e narrar o passo a passo para que a brincadeira pudesse acontecer. Fazer com que a criança participe previamente com sugestões, planejamento, etc.
  • Coletar folhas, pedrinhas, gravetos e montar quadros com recursos naturais disponíveis em casa.
  • Organizar piquenique com a criança, estabelecendo a data por meio do uso de calendário, marcando os dias. Essa atividade promove a percepção e relação temporal no contexto de isolamento.
  • Listar, com a família, brincadeiras que os pais ou familiares faziam quando criança e experimentá-las durante a semana.
  • Construção de um caminho sensorial para as crianças pequenas (2, 3 anos), utilizando rolo de papel pardo e sobre ele colar, algodão, tecidos variados, esponjas de espuma, lãs, folhas secas etc. Estimular a criança a caminhar por esse pequeno trajeto, registrar as percepções em de filmagens e fotos.
  • Esconder varinha ou um animalzinho de pelúcia, dando pistas do lugar onde está escondido. Trocar os papéis, uma vez a criança esconde, outra vez o adulto esconde.
  • Jogos como “bingo de números”, dominó, jogo da memória, boliche, jogo da paciência com cartas de baralho, jogos de unir sílabas e formar palavrinhas. Os jogos e as brincadeiras ajudam as crianças a vivenciarem regras preestabelecidas. Elas aprendem a esperar a vez e também a ganhar e perder.
  • Leitura de gibis, mangás e livros infantis.
  • Gravações de vídeos, mostrando como está a rotina durante o isolamento e contando sobre leituras ou jogos que gostou.
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Limpar formulárioEnviar