O cenário de isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19 vem mexendo com o universo feminino. De um momento para outro, a mulher se viu no lugar de “mulher maravilha”: arrumar a casa, realizar as tarefas profissionais mesmo a distância, organizar a rotina dos filhos e acompanhar as tarefas escolares. Situação que tornou quase impossível ter um momento pessoal para descansar, lazer e manter a mente equilibrada diante de tantos afazeres domésticos, familiares e profissionais.

         Estudos demonstram que a maioria das mulheres sentiu os impactos do isolamento social na saúde emocional. Muitas se dizem mais ansiosas. Os maiores desafios apontados são o fato de terem de conciliar trabalho, tarefas domésticas e filhos, não ter um espaço adequado para trabalhar e não ter a concentração necessária para as atividades profissionais.

         E com as mães maristas não foi diferente. Elas compartilham as alegrias e as dificuldades da nova rotina imposta pelo distanciamento social, com jogo de cintura, aprendizado contínuo e, principalmente, muito amor.

São tantas emoções

         Para a psicóloga e orientadora educacional Cristeane Sampaio, mãe de um menino de três anos, que estuda no Colégio Marista São Luís, “tem sido um grande desafio administrar as emoções nesse período de isolamento, bem como conciliar as atividades domésticas, home office, gestação e a rotina de uma criança”. Ela acredita que, neste período, está construindo memórias afetivas significativas e, em parceria com a escola, atua como mediadora do processo de aprendizagem.

         De acordo com a psicóloga, mesmo sendo cansativo, é muito positivo poder acompanhar o crescimento do filho e vê-lo consolidar novos conhecimentos. O retorno das aulas de forma remota tem sido fundamental para Miguel, pois se aproxima ao máximo do seu dia a dia anterior à pandemia, bem como o ajuda a manter o vínculo com os educadores e colegas.

Lar funcionando

         É o caso, também, de Lílian Bastos Leal Pereira, mãe de três meninas na mesma Unidade: “Além de mãe, sou esposa, filha e terapeuta ocupacional. Esse período de reclusão tem se mostrado desafiador, no que diz respeito ao desdobramento das atividades de vida diária. Lido diariamente com afazeres domésticos (preocupação excessiva com a limpeza da casa e dos produtos vindos de fora para o consumo), introdução de novos hábitos, atividades on-line e tarefas escolares das filhas para orientar, realização de atendimentos on-line para familiares e pacientes idosos, inquietação com familiares doentes e/ou distantes (estresse emocional)”. Na visão dela, não é fácil manter uma casa funcionando quando o trabalho dos pais, a escola e o lar estão no mesmo lugar.

Participação nas aulas

         Milena Molic, estudante de Psicologia e mãe de dois adolescentes maristas, procura estar presente na rotina escolar dos filhos. “O acompanhamento é um desafio importante, visto que as aulas são por meio da plataforma Teams, demandando uma fiscalização maior por nossa parte. Estamos sempre conversando com eles e conscientizando-os sobre a importância de assisti-las”.

                                        

           O mesmo ocorre com Germanna Trigueiro, mãe de Larissa de 4 anos, que cursa o 1º ano da Educação Infantil, e a Eduarda de 8 anos, do 3º ano do Ensino Fundamental. Ela diz que não está sendo fácil conciliar os filhos nas aulas on-line com o trabalho durante esse isolamento.“Foi uma grande luta para nós. Mas, nada como um dia após o outro. Agora tudo flui. Tive de que voltar a trabalhar presencialmente, então, não posso mais acompanhá-las, mas fiz uma rotina, tudo anotado. A mais velha ajuda a mais nova a ingressar na aula e a colocar a presença no final, porque, no restante, graças a Deus, estão bem adaptadas e desenroladas”, conclui.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Limpar formulárioEnviar