A 24ª Feira Internacional do Cooperativismo/Feicoop e a 13ª Feira Latino-Americana de Economia Solidária, de Santa Maria (RS), sediaram o último intercâmbio entre empreendimentos do projeto Rede ComSol, entre os dias 6 e 9 de julho. Ao todo, 30 pessoas representando grupos, associações e cooperativas da agricultura familiar e camponesa, participantes do projeto, conheceram as experiências e estratégias de produção, comercialização e formação da Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores Rurais e Urbanos, que envolve produtores do território da Arquidiocese de Santa Maria.

Em quatro anos de execução, o projeto Rede ComSol facilitou oito intercâmbios de pontos fixos de comercialização solidária. Para o analista social do Instituto Marista de Solidariedade/IMS, Vinicius  Favilla Fuzeti, foram oportunidades em que empreendedores da economia solidária das cinco regiões puderam se reconhecer a partir do trabalho desenvolvido em outros territórios. “O objetivo sempre esteve atrelado a possibilidade de compartilhar experiências de comercialização nos locais onde cada grupo atua. Além disso, as dificuldades encontradas sempre eram trazidas para estes momentos e soluções de um podiam ser adaptadas para outros”, explicou o analista.

Em Santa Maria, além do diálogo com os produtores no ponto de comercialização, os participantes realizaram uma roda de conversa, construindo pontes entre as realidades de cada um. “É por meio da articulação dos grupos produtivos da agricultura familiar e camponesa que fortaleceremos essa rede de saberes e práticas, possibilitando, assim, ir na contramão da lógica capitalista”, afirmou Alane Maria Silva de Lima, da Ecovarzea de Sapé (PB). “Ou abraçamos a nossa rede ou temos saída diante do contexto em que vivemos. Para sermos economia solidária a temos que viver em nosso dia a dia, sendo sempre a favor da vida”, afirmou Begair do Carmo, da Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores Rurais e Urbanos, de Santa Maria (RS).

Segundo Begair, a experiência cooperativa em Santa Maria passou por muitos percalços, que foram superados em 30 anos de existência. “A gestão colegiada, a coresponsabilidade, a criação de consciência coletiva e o trabalho constante de formação de todos nós foi determinante para continuidade e amadurecimento, que resultou no que vivemos hoje. No começo, nem sabíamos o que era economia solidária, fomos fazendo e nos reconhecendo dentro desse processo”, contou Begair. Hoje a cooperativa possuiu uma feira permanente e um centro público de comercialização com o envolvimento de empreendedores solidários de toda a região.

Participaram do intercâmbio representantes da Ecovarzea (PB), Associação dos Produtores Biológicos do Rio de Janeiro/ABIO (RJ), Associação Agroecológica de Teresópolis (RJ), Feira Agroecológica de Campo Grande (RJ), Associação dos Produtores Agroecológicos da Bahia/Serrinha (BA), Movimento de Organizações Comunitárias/MOC (BA), Rede Chique Chique (RN), Rede Bragantina (PA), Coofeliz (MG), Chapada a Mão (MT), Rede Terra Viva (MG), Cooperativa Central de Agricultura Familiar/Coofarn (RN), Feiras Agroecológicas (PB) e, também, dois representantes da Red de Comércio Justo del Litoral (Argentina).

Durante a execução do projeto Rede ComSol ocorreram outros oito intercâmbios, sendo sete nacionais e um na Itália. Empreendedores de cada segmento de ponto fixo de comercialização (lojas, feiras, veículos itinerantes, centros públicos) visitaram os mesmos segmentos em que atuam. Campo Grande (MS), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Itajaí (SC), Serrinha (BA) e Santa Maria (RS) foram as cidades que sediaram as oportunidades de troca de experiências da rede.

A Rede ComSol é uma organização de empreendimentos de economia solidária, com espaços permanentes de comercialização. Executado pelo IMS, unidade de assessoramento da Província Marista Brasil Centro-Norte/PMBCN, o projeto teve o objetivo de conectar diversos grupos para fortalecer relações e experiências, a fim de promover o comércio justo, o consumo consciente e práticas agroecológicas. Em quatro anos, envolveu 195 pontos ficos, em 135 municípios de 24 estados e do Distrito Federal. Os pontos de comercialização são compostos por outros 2.276 empreendimentos, com o envolvimento de 20.657 trabalhadores da economia solidária. O projeto é fruto de convênio com o governo federal, por meio da Subsecretaria de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e contou com a parceria do Fórum Brasileiro de Economia Solidária.

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