Cultura, comunicação e economia solidária foram os temas de umas das rodas de conversa do Seminário CFES: Encantado a vida e envolvendo o mundo com a economia solidária, ocorrido em Lagoa Santa (MG), entre 19 e 22 de junho. Promovido pelo Instituto Marista de Solidariedade/IMS, unidade de assessoramento da Província Marista Brasil Centro-Norte/PMBCN,  a mesa de diálogo foi conduzida pelas provocações do professor Carlos Rodrigues Brandão, da Universidade de Campinas (Unicamp), e pelo Ir. Paulo Henrique Martins, gerente de Comunicação Organizacional da PMBCN.

Ao iniciar o diálogo, o pesquisador e professor Carlos Brandão abordou a construção de redes para o fortalecimento da economia solidária e da educação popular, tendo vista a necessidade de se reprender novas práticas e posturas de vida. “Precisamos nos assumir como profetas e profetizas. Por pouquinhos que sejamos, frágeis, estamos vivendo uma experiência profética. Nossas vidas e práticas sinaliza a possibilidade de viver um mundo diferente, de relações humanizadoras”, explicou Brandão.

Para o gerente de Comunicação Organizacional da PMBCN, as relações sociais contemporâneas, mediadas pelas redes sociais, estão sujeitas a espetacularização da vida privada, tornada pública pelos selfies que registram cada momento pessoal. “Se antes o passado era importante, agora só o presente e o instante importam. É o presente que aparenta apontar o caminho em que o sujeito se direciona ao olhar do outro, no agora, para ser quem é, mas só importa ser no instante, depois já se é outro. E o futuro, incerto e paralisante, parece recuar o sujeito para a experiência do presente. Ser, na contemporaneidade, é ser visto”, explicou Ir. Paulo.

Perceber a comunicação e as novas tecnologias como ferramentas que contribuirão para uma sociedade melhor é a opinião do professor Brandão, que alertou sobre não as ver apenas de maneira negativa. “Importa o que fazemos com essas ferramentas e o que elas fazem de nós. Isso sim importa. E aí a resistência, a educação e a postura diferenciada, emancipadora e empoderada nos abrem novas possibilidades e caminhos. Temos que ocupar esses espaços”, alertou o professor.

O modelo de controle da sociedade contemporânea, e o mercado de consumo e produção que desumanizam as pessoas, precisa ser ultrapassado para o bem-comum, segundo o gerente da PMBCN. “Acredito que a economia solidária tem uma grande contribuição a dar para a sociedade quando pensa modos diferentes de organização social. Uma nova cultura que se propõe e se estabelece a partir de novas relações sociais, modos de produção que valorizam o trabalho, o processo, as pessoas e não o lucro, o resultado, o sucesso. Enfim, uma lógica alternativa a esse sistema e cultura que matam e não geram vida”, disse Ir. Paulo.

O Seminário CFES fez parte do projeto Centro de Formação e Apoio à Assessoria Técnica em Economia Solidária – Rede CFES Sudeste. Executado nos quatro estados do Sudeste, é fruto de convênio com o governo federal, por meio do Ministério do Trabalho, e contou com o apoio e parceria dos fóruns de economia solidária e cooperativismo dos estados da Região Sudeste. Em quatro anos de funcionamento, teve como objetivo principal promover a formação e o apoio à assessoria técnica em economia solidária, visando à promoção do desenvolvimento territorial sustentável, no intuito da superação da pobreza extrema na área de atuação.

4 Comments
  1. Maria Geralda de Souza Lopes

    Foi, também, um final de recomeço. A gente só foi se abastecer para voltar para nossas base e aplicar o que aprendemos nesses quatro dias.

  2. Yolanda Rodriguez

    Foi mas do que produtivo, foi um evento que deixou em cada ser humano, que ali esteve presente, um gostinho de quero mais. A certeza de que um Movimento com a grandiosidade da Economia Solidária não pode se render, nem desistir, mesmo que a caminhada seja longa e cheia de obstáculos. Ajudar a construir um mundo melhor é imprescindível…E vamos que vamos Companheirada.

  3. Zilene Conceição Maia

    A economia popular solidária representa, na sociedade contemporânea, novas formas de vivências sociais pautadas na solidariedade, na reciprocidade, no consumo coletivo, nas relações de gênero e, principalmente, na democracia. Espero que este encontro possa ter contribuído para solidificar os princípios dessa politica desafiante, mas inovadora. “Quero participar dos próximos”.

    Abraços fraternos a todas@s.
    Zilene maia.
    Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social – Sedese – Montes Claros (MG)

    zilene maia.
    Secretaria est. do trabalho e desenvolvimento social(Sedese)
    M. Claros.-MG

    • shirlei

      Cara Zilene,

      Foi uma alegria ter você conosco. A Economia solidaria é uma construção cotidiana e coletiva. Sigamos em frente.

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