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PRODUÇÃO DE TEXTOS: Chirliana Souza, Oniodi Gregolin | FOTOS: Cristiano Giamarco e banco de imagens das unidades da PMBCN.| Projeto Gráfico: André Carvalho

s décadas de 1960 e 1970 foram marcantes para a história da juventude no Brasil e no Mundo. No país, o período é rememorado pelas transformações na sociedade, movimentos sociais e ideológicos, ditadura militar, e as manifestações estudantis, a exemplo da “Passeata dos 100 mil”[1], dos

Manifestação UNE – a partir da década de 1970

grupos Diretórios Centrais Estudantis (DCE), Uniões Estaduais dos Estudantes (UEE) e a União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi também a época do boom da discoteca, movimento punk e do surgimento de diversos estilos populares do rock. Na Igreja, vive-se a integração com a sociedade e a política, torna-se mais evidente o fundamental papel das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)[2], e a parceria dos jovens com a Igreja no Brasil por meio das pastorais.

É nesse contexto que o Marista inicia as discussões sobre a importância de sistematizar em um documento as principais orientações acerca da atuação institucional para e com os jovens, resultando, em 2005, na elaboração das Diretrizes Nacionais da Pastoral Juvenil Marista. A história registra essa atuação,

Passeata dos 100 mil

inicialmente, em 1972, com a primeira Equipe Marista Interprovincial de Reflexão (EMIR), que, no ano de 1993, passou a se chamar Serviço Interprovincial Marista (SIMAR), de apoio direto aos provinciais.

Ainda na década de 1990, o SIMAR passa por nova mudança e se torna “organismo específico da pastoral juvenil e vocacional, com um integrante por província e outros organismos vitais para a organização do Brasil Marista”[3], que resultou na realização, em julho de 1996, do 1º Encontro Nacional Marista de Jovens, em Mendes (RJ); em 2000, acontece o 2º Encontro Nacional Marista de Jovens, em Porto Alegre (RS); e, em 2003, o 3º Encontro Nacional Marista de Jovens na cidade de Natal (RN). Os encontros são parte, também, das comemorações dos 100 anos da chegada dos primeiros Irmãos no Brasil – em Bom Princípio (RS), em 1900; em Belém (PA), em 1903; e, em Congonhas do Campo (MG), em 1897.

O desafio de promover o modelo educação marista à juventude brasileira, quando os primeiros Irmãos maristas desembarcaram no Brasil, no ano de 1897, foi, e ainda continua sendo “o ideal que fez florescer o carisma legado por Champagnat[1]”.  O padre jesuíta, Hilário Dick, reconhecido nacionalmente pela atuação com as juventudes, assessorou os Maristas na elaboração das Diretrizes, que sistematizam esse itinerário.

Padre Hilário Dick. (Foto: divulgação).

Hoje ele relembra, com saudosismo, dos desafios desse período. “O tempo das elaborações foi de grande crescimento para mim. Se é para apontar um desafio, falaria de mística e de estudo. Mística é Bíblia, é Jesus Cristo, é amor ao pobre. Estudo é estudo; é aprender a fazer, da prática, uma práxis com o olhar de Deus. Quanto sei, Marcelino Champagnat tinha dificuldade nos estudos, mas sempre lutou para que “seus Irmãos” fossem, mais do que sabidos, sábios; mais do que pobres, desapegados; mais do que rosas, violetas”, descreve.

Padre Hilário faz, ainda, um alerta. De acordo com ele, as congregações religiosas, assim como a Igreja, não se deram conta do que acontecia, acontece e acontecerá no mundo com a criação da Pastoral Juvenil Marista (PJM).  “Ela se espalhou na América Latina e no mundo e não me sai da memória a participação que tive em um encontro de Irmãos em Mendes, no Rio de Janeiro, para pensar estas coisas. Há, no entanto, muito tijolo a colocar; há muito muro a derrubar. O segredo da PJM é que, além de ser algo de jovens, é algo da Congregação”, explica.

O sacerdote relembra, ainda, da sua recente participação no 2º Congresso Nacional da PJM, realizado em Porto Alegre (RS), de 12 a 15 de outubro de 2017. “Acabei de celebrar os 12 anos da PJM e tive que aprender, de novo, que tudo que é verdadeiramente jovem, sempre é novo. A ‘velhura’ é outra coisa, principalmente a modernidade e a falta de utopia. As novidades não assustam; assusta o mofo. O novo não tem idade, mas a vida é mais quente se pudermos saborear novidades”, enfatiza.

Padre Hilário Dick em celebração eucarística, no 2º Congresso Nacional da PJM, em Porto Alegre/RS. (Foto: Umbrasil)

 A história do Instituto Marista tem início a partir do encontro de São Marcelino Champagnat, com um jovem à beira da morte, chamado João Batista Montagne, que, aos 16 anos, nunca tinha ouvido falar sobre Deus – o ano era 1816. E foi Champagnat o homem que àquele garoto falou às verdades da fé.  Se aprofundar nas Diretrizes Nacionais da Pastoral Juvenil Marista é perceber que, após 200 anos, a instituição enxerga e continua a priorizar o jovem em uma perspectiva de futuro, sendo “ele é a esperança”.

Ir. José Wagner da Cruz, vice-presidente da UBEE-UNBEC. (Foto: Ascom/PMBCN)

O vice-presidente das mantenedoras UBEE-UNBEC, Ir. José Wagner da Cruz, que integrou a Comissão Nacional de Evangelização de Adolescentes e Jovens, grupo responsável pela elaboração das diretrizes da PJM, declarou que Champagnat à sua época falou: “eu não posso permitir que nenhum jovem tenha vivido a sua vida sem ter conhecido a Deus e sem ter sido alfabetizado”.

Segundo Ir. Wagner, é exatamente neste contexto que nasce a instituição. “É muito bom a gente ver, após um capítulo geral[1], a juventude voltando ao tema, porque ela é o ponto de partida e de chegada da nossa missão. Os jovens, que vivem a missão marista, também têm o que dizer, contribuir e protagonizar”, declara.

Em sintonia com as palavras do Irmão José Wagner, o documento “Evangelizadores entre os jovens”, publicação de referência do Instituto Marista, esclarece que “ir ao encontro dos jovens onde eles estão não é suficiente (…) o que importa é como estamos com eles. Trata-se de olhá-los não somente com os nossos olhos, mas com a nossa mente, sobretudo, o coração. (2011, pag. 30).

A partir do olhar do jovem contemporâneo, Ir. José Wagner da Cruz, estudioso no tema há mais de 15 anos, declara que esse jovem precisa ser escutado, compreendido e acolhido. “É um jovem que recebe um conjunto de informações gigantes – seja tecnologicamente ou academicamente – mas que precisa saber o que fazer com essas informações todas. Eles [jovens] moram – vivem – na internet, e precisam das instituições para contribuir neste momento. A missão social da escola na formação do caráter da juventude é importante, mas a escola precisa dialogar com esse jovem, precisa se corresponder com ele, amar e entender o fenômeno juvenil e o cenário no qual esse fenômeno está inserido”, afirma.

Sobre os desafios na atuação com as juventudes, na contemporaneidade, Ir. José Wagner considera que é preciso reorganizar o processo da juventude no itinerário da fé. Dar outros passos. “Temos orgulho de quem está na PJM; vemos as bandeiras e símbolos, e nos identificamos porque ajudamos a construir, elaborar e escutar os jovens. Quando visito uma escola e vejo um conjunto de jovens que não estão no processo de evangelização, eu fico me perguntando: o que a gente poderia oferecer? A evangelização daqueles que estudam conosco é responsabilidade de quem? Só do setor de pastoral? Não. É de todos”, argumenta.

10 anos da Pastoral Juvenil Marista na PMBCN

Na Província Marista Brasil Centro-Norte, a Pastoral Juvenil Marista foi implantada a partir de duas experiências de evangelização juvenil no espaço escolar: o EDA-REMAR – Embarcação da Amizade/Renovação Marista – e o GAMAR – Grupos de Alunos Maristas. Ao longo de 2007, estudantes e assessores dos grupos assumiram o processo participativo de construção dos fundamentos e orientações para cada um dos cinco Momentos e suas respectivas fases.  Em Assembleia Provincial da PJM, realizada de 23 a 27 de janeiro de 2008, finalizou-se o processo de sistematização, oficializando a proposta provincial de ação evangelizadora da PJM. Abaixo, veja o que é a PJM e sua finalidade:

A PJM integra as prioridades do governo provincial para o triênio 2016-2018, de “Assegurar a evangelização como centro da missão educativa marista, em perspectiva eclesial, com as infâncias, adolescências e juventudes, priorizando a PJM”. A celebração dos 10 anos da PJM na Província ocorreu em 20 de maio, data de nascimento de São Marcelino Champagnat.

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Comissão das Juventudes

Com o objetivo de criar espaço de representatividade das adolescências e juventudes, a Província Marista Brasil Centro-Norte (PMBCN) cria, em 2017, a Comissão das Juventudes. O documento orientador do projeto esclarece que além do espaço ser dedicado ao protagonismo juvenil, a prioridade “é reconhecer os adolescentes e jovens da PMBCN como atores principais do processo evangelizador-educativo”. (2017, pg. 8).

Estudantes que integram a Comissão Provincial das Juventudes. (Foto: Ascom-PMBCN)

Em agosto deste ano, foram eleitos oito estudantes de escolas e colégios da instituição para compor a Comissão Provincial das Juventudes, são eles: Alice Azevedo Magalhães (Colégio Marista Patamares/Salvador-BA), Beatriz Coelho Lima (Escola Marista Champagnat/Vila Velha-ES), Erik Nogueira Freitas (Colégio Marista de Aracati/CE), João Gabriel Carneiro Rangel (Colégio Marista de Natal/RN), Luana de Abreu Cavalcanti (Colégio Marista Dom Silvério/Belo Horizonte-MG), Milena de Almeida Silva (Colégio Marista Palmas/TO), Victor Gabriel Florêncio Barros (Colégio Marista Champagnat/Taguatinga-DF), e Vinícius Vilela Almeida Facure (Colégio Marista Diocesano/Uberaba-MG).

João Gabriel Rangel, estudante do Colégio Marista de Natal (RN), membro titular da Comissão das Juventudes. (Foto: Ascom/PMBCN)

De acordo com as orientações e posicionamentos da Comissão, ela tem caráter propositiva, e cabe ao seus representantes: “propor ações, reflexões, medidas, ideias e linguagens que estejam em sintonia com os anseios observados nas juventudes de cada realidade. Os membros da Comissão passam a ter a responsabilidade de observar e acolher, de forma fraterna e ética, as situações apresentadas”. “Eu me doarei de corpo, alma e mente. Eles (comissão) são como uma família para mim; nós, unidos, somos capazes de tudo. Vamos fazer acontecer”, declara João Gabriel Rangel, 16 anos, membro titular da comissão, que cursa o 2º ano do ensino médio no Colégio Marista de Natal (RN).

Ele recorda que essa é a primeira comissão da história da Província. O seu desejo é preservar esse espaço, com excelência, e dar exemplo às futuras gerações e gestões que virão. “Sobre a juventude brasileira, eu acho que se faz necessária orientação; com o cuidado certo e a aplicação efetiva dessa orientação para os jovens, garanto que os objetivos juvenis poderão avançar”, afirma Rangel.

 

[1] Reconhecido pelo envolvimento dos jovens nas lutas sociais no País.

[2] Sobre as CEBs, mais informações em: acesse www.portaldascebs.org.br.

[3] Diretrizes Nacionais da Pastoral Juvenil Marista – Brasil Marista/2006.

[4] Capítulo “Fazendo memória: maristas e juventude. Diretrizes nacionais da Pastoral Juvenil Marista – Brasil Marista/2006.

[5] XXII Capítulo Geral, de setembro a outubro de 2017, em Rio Negro, na Colômbia.

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