bot-cap2-des bot-cap3-des

PRODUÇÃO DE TEXTOS: Amanda Ribeiro, Chirliana Souza, Oniodi Gregolin | FOTOS: Cristiano Giamarco e banco de imagens das unidades da PMBCN.| Projeto Gráfico: André Carvalho

Brasil é o país do futebol”. A máxima do imaginário sobre o país ultrapassou fronteiras e identifica a nação entre os admiradores da modalidade. O esporte marca a identidade brasileira e traz em si possibilidades que vão além dos troféus, medalhas e títulos. As quadras, piscinas e campos, antes restritos às ruas e clubes, adentraram os muros das escolas e passaram a fazer parte da educação de crianças, adolescentes e jovens.

Dentro dessa perspectiva, foi criado o conceito de esporte educacional, desenvolvido nos sistemas de educação com a adaptação de regras, estrutura, espaços e materiais e práticas de acordo com as condições sociais e pessoais.  Ao contrário dos propósitos do esporte de alta performance, no contexto escolar, a prática esportiva, em vez de focar resultados, fundamenta-se em valores como emancipação, participação e cooperação. Desde 2009, os ministérios do Esporte e Educação integram as políticas para viabilizar a oferta do esporte na escola, integradas ao projeto pedagógico na perspectiva da educação em tempo integral. A proposta se materializa em programas, como o Segundo tempo nas escolas, que buscam ampliar tempos e espaços educativos dos estudantes por meio da integração de atividades nas diversas áreas do conhecimento.

Tratam-se dos princípios da educação integral que, com foco na pessoa e seu desenvolvimento, se traduz no processo formativo de subjetividades, nos modos de ser sujeito, em integralidade e inteireza. Tudo dentro do viés da aprendizagem cooperativa, que envolve a atuação coletiva, na qual a participação do grupo gera e amplia os questionamentos e resultados na construção do conhecimento. O currículo configura-se como espaço de relações que produz conhecimentos, saberes, valores e identidades e caracteriza-se como prática produtora dos sujeitos da escola.

Dentro dessa perspectiva, são realizados, anualmente, nas unidades socioeducacionais da Província Marista Brasil Centro-Norte, os Jogos Internos Maristas/JIM. Além das competições nas diversas modalidades, o evento traz o tema e o lema da Campanha da Fraternidade, promovida pela Igreja. Em 2017, os escolhidos foram, respectivamente, “Fraternidades: biomas brasileiros e defesa da vida” e “Cultivar e guardar a criação” (Gn, 2,5). Com base neles, a Província desenvolveu o slogan “Consciência coletiva, natureza vencedora”, para inspirar as ações nos colégios e nas escolas da rede.

A professora de Educação Física do Colégio Marista São Luís, em Recife/PE, Ana Beltrão, conhece o JIM de perto, como ex-aluna e há 13 anos como educadora na unidade. Especialista em Fisiologia do Esforço, trabalha com as escolinhas e o treinamento das equipes femininas de voleibol, esporte pelo qual é apaixonada. “Aos sete anos entrei para a escolinha da AABB Recife, de lá fui chamada para vir para o São Luís. Depois vieram as convocações pra defender as seleções pernambucanas”, relembra a treinadora. De acordo com ela, há o cuidado especial na preparação dos estudantes para este período, físico e mentalmente. “Os treinamentos ocorrem dentro das próprias aulas de Educação Física. Elas proporcionam a vivência teórico e prática acerca das modalidades e jogos pré-desportivos que serão disputados. Além disso, todos são instruídos a “jogarem juntos e limpo”, explica Ana Beltrão.

Acerca dos benefícios da prática esportiva para os estudantes, a educadora sinaliza que

e que a vitória não o faz superior a ninguém. O respeito e a ética, tão valorizados numa casa Marista, são os mesmos valores básicos trazidos pelo esporte.

Estudante da unidade pernambucana, Gabriel Rodrigues Bezerra, de 12 anos, é exemplo do que diz a professora. O interesse pelo futsal começou antes da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. “Eu não sabia nada de futebol e a Copa despertou isso em mim. Antes, eu já praticava futebol de campo por hobby, no colégio, desde o 2º ano do ensino fundamental. Foi quando eu vi a entrevista do jogador Ralf, do Corinthians, em que disse que o futsal desenvolvia mais o jogador do que o próprio futebol de campo, principalmente a corrida e o toque de bola”, relembra Gabriel Bezerra.

E foi assim que, em 2016, o estudante do 7º ano abraçou o futsal, na expectativa de que o esporte melhorasse o desenvolvimento dele como atleta. “A prática me ensina a ter disciplina, dentro de quadra e fora dela também. Como pessoa, me deixa mais feliz, pois eu faço o que gosto”. Sobre o futuro na modalidade, Gabriel não tem o desejo de tornar-se profissional, mas de aprender cada vez mais sobre a modalidade.

Quem também vivencia o esporte no cotidiano é o xará, estudante e atleta de basquete Gabriel Ribeiro Carmanhan da Silveira, de 17 anos, do Colégio Marista Palmas/TO. O interesse pelo esporte teve início desde cedo, quando começou a participar das escolinhas esportivas no colégio e a treinar. “Já fiz futebol, futsal, judô, mas gostei mesmo foi de basquete. O esporte trouxe muitos benefícios para a minha vida, como disciplina, mais compromisso e cuidado com a saúde.  Hoje faço academia e me cuido mais. Aprendi que cada jogo é diferente, por isso, sempre busco focar nos objetivos, melhorar na modalidade e aprender com os erros. O importante foi aprender a ter humildade e encarar os desafios”, relembra o estudante do 2º ano do ensino médio.

Os treinos ocorrem duas vezes por semana. Segundo ele, o ambiente é bom, todos trabalham em equipe e são motivados a superar as dificuldades.  O grupo agora está em fase de preparação para os Jogos Estudantis do Tocantins/JETS deste ano. “Estamos com boa expectativa. O time está jogando bem e o treinador motiva bastante a equipe”, vibra Gabriel Silveira.

História para contar

“O JIM é a concretização do trabalho da equipe de educação Física da escola durante as aulas. Entendo que hoje, os Jogos Internos como ocorrem, ajudam a destacar os princípios Maristas.  Precisamos destacá-lo como diferencial de nosso projeto pedagógico, do qual os estudantes precisam entender o papel real deles durante os jogos e também fazer do evento o momento de convívio, de desenvolvermos valores positivos e, também, espaço de culminância de todo trabalho realizado em sala de aula”. O posicionamento é do educador físico Maik Vaneli Pasito, que atua no Colégio Marista Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha/ES, há sete anos no ensino fundamental II e junto às equipes de voleibol da escolinha ao treinamento esportivo.

Dentre as conquistas recentes das equipes das quais o professor está à frente, estão o campeonato municipal dos jogos escolares no infantil feminino e juvenil masculino 2016, a segunda colocação no campeonato regional escolar e a terceira colocação no campeonato estadual escolar. “No meu trabalho sempre procurei ter o apoio da família dentro do processo, pois por meio do esporte o estudante desenvolve o trabalho em equipe, a disciplina e o convívio com outras pessoas, com opiniões diferentes, o que favorece o diálogo, tornando-o ponto e prática principal do cotidiano”, esclarece o educador.

Dentre as histórias e os episódios marcantes, Pasito menciona a disputa pelo título em 2011, no ginásio do Marista. Com jogo tenso, disputado no tie break, o time da casa, que estava em vantagem, deixou o adversário encostar no placar. “Disse aos meus atletas, eu confio em vocês, chegamos aqui com muito suor não vamos perder essa. Se não conseguirmos fazer o ponto e a bola estiver com eles, formem o bloqueio e quando eles forem atacar salte, estique o braço e quando o atleta deles for atacar a bola encolha o braço que a bola vai para fora porque ele vai querer explorar e vai errar. Parecia Deus me dizendo o que seria feito, e assim ocorreu exatamente. Marista foi campeão”, relembra o treinador.

A estudante Alice Sipolatti, de 15 anos, é fruto do trabalho do educador. “Eu pretendo chegar ao Campeonato Brasileiro e, se possível, até em uma seleção, onde eu me vejo jogando e realizando o meu sonho. Com o vôlei eu aprendi a ouvir, a liderar e, o mais importante, a amadurecer”, disse a estudante, ao mencionar ter aprimorado a concentração e a disciplina, aprendido a trabalhar em equipe e a lidar com vitórias e derrotas, “tanto na quadra quanto na vida pessoal”.

< Leia o capítulo 1                                                                                                                  Leia o capítulo 3 >