cabecalho_especial

bot-cap1-des bot-cap2-des bot-cap3-ativ

REPORTAGEM: Amanda Ribeiro, Chirliana Souza, Oniodi Gregolin.
FOTOS E VÍDEO: Cristiano Giamarco/ Banco de Imagens da PMBCN
PROJETO GRÁFICO: André Carvalho

capitularmomento da criança ingressar na escola ocasiona, para muitas famílias, preocupações e planejamento na hora de escolher a melhor instituição de ensino para os filhos. Quando se trata da educação infantil, logo nos primeiros anos de vida, exige esforço ainda maior dos pais, que buscam características como confiança na instituição e qualidade do percurso curricular para o estudante durante a formação. “A família deve, primeiramente, se deparar com o questionamento do que é ideal para seu filho. Depois, levá-lo para conhecer o espaço físico da escola. Também devem conversar com os responsáveis e conhecer a fundo a pedagogia e os valores da escola. Primordialmente, tem que existir empatia entre a família e a instituição, é isso que conta muito”, explicou a coordenadora da educação infantil do Colégio Marista Dom Silvério, em Belo Horizonte/MG, professora Jaqueline Ramalho.

olho1

Foi isso que fez a família da empresária Liliana Cosa Souza S. Castro e do administrador de empresas Mauro Cardoso Ribeiro antes de matricularem os filhos, Rafael Castro no maternal e Ana Luisa Castro no 1º ano do ensino fundamental, no Colégio Marista Dom Silvério. “Primeiro procuramos as escolas com boas referências próximas de nossa casa. Também queríamos ter os dois filhos na mesma escola. Levamos eles para conhecerem os espaços e nossa filha mais velha, de seis anos, se sentiu melhor aqui, além da gente já saber que o Marista é consolidado e de tradição. Nas visitas, conhecemos a proposta educativa e ficamos encantados”, afirma Liliana. “Não tivemos dúvida, a segurança que nos foi transmitida sobre o plano de ensino, as instalações, tudo isso nos convenceu e nos ajudou a tomar a decisão.  Esperamos que eles se adaptem bem, pois escolhemos um colégio para todo o percurso escolar”, explica Mauro.

O começo da vida escolar da criança deve ser momento positivo para ela. O início da socialização fora do ambiente familiar, o primeiro contato com professores e com colegas, são mudanças repentinas e completamente novas para o estudante. “Tem que existir sintonia entre os valores da escola e os valores da família. A escola deve apresentar segurança às famílias, transmitir aos pais confiança e eles devem confiar. O choro da criança, possivelmente, vai ocorrer em algum momento, mas a escola sabe como receber isso”, explicou a professora Jaqueline. “Buscamos o colégio que possibilitasse a formação humana, com valores, como respeito ao próximo e a família. Queríamos uma escola que, junto conosco, fosse parceira para a formação e transferência desses valores para nossos filhos”, disse Liliana.

olho2

Segundo Jaqueline Ramalho, a cada ano as crianças estão se adaptando facilmente à primeira experiência no ambiente escolar. No entanto, cada vez mais, os pais passam a viver a ambiguidade de ter que trabalhar e cuidar dos próprios filhos, gerando o sentimento de culpa. “Eles devem transmitir segurança para o filho e garantir que a rotina familiar não mude neste período, para que a criança sinta-se confiante nas mudanças que ocorrerão. Distribuímos aos pais o manual de dicas, para além das reuniões e diálogos que temos com eles. Por exemplo, pedimos que não mintam aos filhos e que sejam sinceros sobre a situação. É um caos maravilhoso, no qual a confiança entre a escola e a família gera o dever de encantar as crianças para este novo mundo que se abre a elas”, finaliza.

A mudança para outros segmentos de ensino também traz transformações para as crianças e os adolescentes. Não precisar mudar de escola, com o avançar da formação, permite aos estudantes maior facilidade no processo de adaptação. No Marista, a proposta educativa engloba, para além dos conteúdos, a formação afetiva e espiritual dos estudantes, comprometida com o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes.  Para a estudante Júlia Gonçalves Costa, do Colégio Marista São José – Tijuca, do Rio de Janeiro/RJ, os anos finais do ensino fundamental permitiram maior abstração dos conteúdos e interação com as realidades em que estão inseridos. “Muita coisa mudou no nono ano. Passamos a interagir mais com o que está acontecendo a nossa volta, em todas as aulas, e não apenas em História e Geografia, mas até em Matemática e Língua Portuguesa”, explica Júlia.

Prestes a ingressar no ensino médio do Colégio, a estudante é filha de ex-alunos maristas, participa da Pastoral Juvenil Marista/PJM e de outras atividades extracurriculares da unidade. “Os professores do Colégio interagem muito conosco. Eles não ensinam apenas o conteúdo da disciplina, mas se esforçam para transmitir, de maneira compreensível, o estudo, relacionando-o com coisas de nosso dia a dia”, afirma. Quanto ao ensino médio, Júlia alimenta expectativas positivas dessa nova fase. “Acho que vai ser bem diferente, mas vou aproveitar muito. Terão mais matéria e será difícil, mas faz parte”, disse.

Comprometido com a formação escolar, o Marista empenha-se, também, com a formação humana dos estudantes, preparando para a vida jovens aptos a interagir com questões sociais e políticas. “O Marista é minha segunda casa. É um ambiente maravilhoso. Todos que estudam aqui não querem sair. E quando se saí, ao fim dos estudos, sempre fica a saudade. É um Colégio incomparável. Marista é Marista”, destaca Júlia.

olho3

O ensino médio é a culminância da educação básica. No Marista, esse período é pontuado pela formação integral dos estudantes, tendo em vista os processos seletivos do ensino superior que estão por vir e a preparação para a intervenção cidadã e crítica no mundo contemporâneo. O projeto de vida dos estudantes é complementado com estas características e as dimensões acadêmicas necessárias. Esta visão é corroborada pelos ex-estudantes do Colégio Marista Champagnat, de Taguatinga/DF, Clarice Taylor Guirra e Ruy Bandeira Neto, que, recentemente, foram aprovados no Processo de Avaliação Seriada/PAS da Universidade de Brasília/UnB.

De acordo com Ruy, os professores são abertos às demandas e questionamentos dos estudantes, sempre os estimulando a serem questionadores e envolvidos com os temas de estudo. “Ao longo do ensino médio, participamos de muitos projetos, como os de iniciação científica e artísticos, a partir dos quais carregamos uma autonomia muito maior: a gente tem que correr atrás, tem que se preparar, fazer tudo acontecer. Isso nos ajuda a, por exemplo, agora quando estamos sozinhos na universidade, a sabermos como lidar com tudo isso”, declara Ruy. Para Clarice, a preparação do Marista contribuiu para a abertura ao mundo, compreendendo os contextos a partir de ótica ampliada. “Todas as oportunidades que o Marista trouxe, como a Simulação das Nações Unidades, me abriram a mente para coisas diferentes, culturas e pessoas. Isso tudo é bom”, conta.

Clarice foi aprovada em primeiro lugar no curso de Desenho Industrial e pretende optar pela habilitação Programação Visual. “Não parece, ainda, que a gente pertence a este lugar [UnB]. É tudo muito novo, pois desde o primeiro ano do ensino médio sonhamos com isso: passar na UnB. Foram três anos pensando nisso e todos os esforços foram por isso”, contou a caloura da UnB. Por sua vez, Ruy foi aprovado no curso de Ciências Sociais e poderá optar, no decorrer do curso, pela habilitação em Antropologia ou Sociologia, decisão que ainda não tomou. “Sempre tivemos, no Marista, a formação voltada para o vestibular e para a vida. Passar em uma universidade pública sempre foi o foco de muitos de nós, e quando a gente consegue entrar, aqui [na UnB], gera a sensação de realização”, enfatiza o futuro cientista social.

Sobre o período que passaram no Marista, ambos são categóricos e afirmaram ter sido uma história inigualável. “Em cada canto da escola, eu tenho uma memória. Meus melhores amigos conheci lá, cresci com eles e me formei com eles. Não vê-los todos os dias e não ter mais contato com aquele ambiente vai ser diferente para mim”, explica Ruy.  No final de 2016, o Colégio promoveu a Aula da Saudade, no último dia letivo. “Levamos comida e ficamos vendo vídeos e fotos de antigamente. A maioria de nós estudou no Marista por muito tempo, então, tinham vídeos e fotos de nós bem pequenos, crescendo. Foi o momento de ativar as lembranças. Sentirei saudade”, finalizou Ruy.

História de sucesso

O ingresso no mundo do trabalho, após as etapas formativas da escola e da universidade, interpõe novos desafios aos jovens na contemporaneidade. Não apenas a preparação acadêmica, mas o conjunto de habilidades pessoais e sociais urgem para as relações que vão se construindo no decorrer da vida. Segundo Alécio Binotto, ex-estudante do Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, de Belém/PA, a educação deve acompanhar o desenvolvimento tecnológico e científico e, ao mesmo tempo, promover habilidades. “Além de ser espaço de formação e desenvolvimento cognitivo, as escolas e universidades também devem se dedicar ao desenvolvimento de outras habilidades, como colaboração, comunicação, pensamento crítico, curiosidade, inovação e criatividade”, afirma Alécio.

Estudante do Marista Nazaré, durante 11 anos, Alécio é mestre e doutor em Ciências da Computação pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e co-fundador da startup i9access, empresa brasileira especializada em telessaúde. Atualmente, é também pesquisador da multinacional norte-americana IBM (International Business Machines). O pesquisador afirma que, apesar de vivermos na era tecnológica, no advento da robótica e da inteligência artificial, não se pode dispensar o relacionamento presencial entre as pessoas. “O Marista me ofereceu não somente uma formação sólida em termos acadêmicos, mas, também, a visão crítica e mais ampla referente às questões globais e sociais. As habilidades do profissional do século XXI incluem formação integral. A educação tem sempre de acompanhar o desenvolvimento tecnológico e científico e promover as habilidades”, explica Alécio.

box1

Em que período o senhor estudou no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré? Por que seus pais optaram pelo Marista, em Belém?

Estudei no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré por 11 anos, de 1984 a 1996. Da 1ª série até o antigo Convênio, que era o 3º ano do ensino médio integrado com preparação para o vestibular. Meu pai é gaúcho e minha mãe catarinense. Devido ao trabalho, migraram para Belém/PA na década de 1970, onde nasci em 1979. Meus pais optaram pelo Marista para me prover a melhor oportunidade educacional e de crescimento pessoal, tinham certeza da prioridade da educação plena e sou eternamente grato a eles por essa oportunidade.

O que o conduziu para seus campos de pesquisas atuais. Quando/como foi que começou a amadurecer a conexão entre medicina e informática?

Em 2001, me mudei de Belém para Porto Alegre/RS para iniciar o Mestrado em Computação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ao fim do mestrado, fiz estágio de seis meses na Alemanha. No meu retorno, estava decidido que tinha ainda muito a aprender, profissionalmente e pessoalmente. Procurei, então, um professor que tinha relação estreita com a Alemanha, não só academicamente mas com empresas de alta tecnologia. Conheci o professor Carlos Eduardo Pereira e comecei a trabalhar com ele em um novo instituto que estava sendo criado a partir de uma cooperação Brasil-Alemanha para pesquisa aplicada entre instituições de ensino e empresas. Interessei-me por um projeto que aproximava, via Internet, médicos mais generalistas à especialistas, a fim de promover diagnóstico preciso e evitar transferências desnecessárias de pacientes. O projeto focou na tele-ultrassonografia para gestantes da periferia de Porto Alegre e também do interior do estado. Mais de 3 mil gestantes realizaram o pré-natal na própria moradia, sem deslocamentos. Em seguida, estendemos o projeto para três cidades na Ilha do Marajó/PA. Para se ter uma ideia, 90% dos municípios brasileiros tem 0,4 médico por mil habitantes, o que deixa mais de 70 milhões de brasileiros carentes desses profissionais e de serviços médicos especializados. Assim, adaptei essa primeira experiência para um serviço de tele-laudos – em vez de tele-diagnóstico, co-fundei uma startup chamada i9access, que atualmente ajuda hospitais na educação de profissionais de saúde, a proverem laudos a distância e acompanharem pessoas com doenças crônicas. Na IBM, onde sou pesquisador, também temos um grande foco para melhorar e desenvolver a área da saúde, sempre para prover um serviço melhor.

O Brasil, com dimensões continentais e diferenças econômicas regionais, mantém-se um país de enormes contrastes. A garantia de direitos, como saúde e educação, ainda é um desafio a ser superado. Qual o papel que as escolas, as universidades e as empresas devem adotar para promover a equidade e contribuir nesses campos?

O papel da educação na promoção da equidade social e de direitos é essencial, uma vez que é possível, por meio da educação, superar barreiras e criar oportunidades de desenvolvimento. Além disso, a educação tem o compromisso importante de fomentar o respeito, a colaboração com o próximo e também a diversidade. Além de ser um espaço de formação e desenvolvimento cognitivo, as escolas e universidades também devem se dedicar ao desenvolvimento de outras habilidades, como colaboração, comunicação, pensamento crítico, curiosidade, inovação e criatividade. As empresas, por sua vez, poderiam ser um espaço onde esta perspectiva também é aplicada e possibilitarem uma conexão maior com iniciativas educacionais, cujo objetivo seja a melhora contínua do ensino.

Para além das conquistas como pesquisador e empreendedor, nota-se uma preocupação social muito grande em seu discurso. Além da sua educação familiar, o Marista proporcionou alguma contribuição nesse tipo de pensamento?

Definitivamente. O Colégio Marista me ofereceu não somente uma formação sólida em termos de disciplinas acadêmicas, mas, também, uma visão crítica e mais ampla referente às questões globais e sociais. Junto com meus pais, me proporcionou desenvolvimento educacional e pessoal com base no que citei na resposta à pergunta anterior.

Por que em alguns campos do conhecimento, como a medicina, se avança a passos largos quando se trata de equipamentos, pesquisas de tratamentos, cirurgias, porém, se mantém absorta em práticas tradicionais de contato médico-paciente, desconsiderando as ferramentas virtuais que já existem?

Excelente pergunta. Existe uma grande oportunidade de desenvolvimento na área da saúde, mas ainda há muitas barreiras que fazem com que o desenvolvimento nesta área não seja tão rápido quanto poderia. Na saúde, existem barreiras específicas de formação, de legislação e técnicas que fazem com que a absorção das tecnologias mais recentes seja um pouco mais lenta. Nossos esforços precisam se concentrar em sensibilizar a área médica e gestores para que a tecnologia possa ser uma parceira de trabalho importante para auxiliá-los no dia a dia. Além de trazer benefícios clínicos, estas tecnologias trazem redução de custos para todo o sistema de saúde.

Muitas coisas mudaram no ensino, principalmente nos Colégios Maristas. Hoje a grade curricular dos estudantes comporta disciplinas como direitos humanos, iniciação científica, robótica, sustentabilidade, dentre outras. Qual a importância que estes temas podem ter na formação dos jovens de hoje?

As habilidades de um profissional do século XXI incluem formação nestas áreas. A educação tem sempre de acompanhar o desenvolvimento tecnológico e científico e promover as habilidades para que se possa entrar em contato com esses campos desde cedo e promover a curiosidade em cada pessoa a fim de que ela escolha e construa seu desenvolvimento. Mas atenção: estamos numa era tecnológica (ex: inteligência artificial, robótica, empoderamento pelos smartphones, etc), mas não podemos esquecer do relacionamento presencial e pessoal entre as pessoas. Um equilíbrio é fundamental ao meu ver.

Alguma lembrança de quando foi aluno marista, que tenha marcado a sua formação?

Do Marista guardo muitas lembranças. Adorava as feiras de ciências, as festas juninas e de jogar vôlei com o professor Aldir. Mas uma lembrança inesquecível, em especial, eram as brincadeiras de mágica no “salão vermelho” com o Irmão Itaici. Recordo-me que ficava maravilhado em tentar entender como aquilo era possível.