Foto: Atletas de Maceió.

Foto: Atletas de Maceió.

Ao longo dos seus 110 anos, o Colégio Marista de Maceió (AL), além de se destacar nos pilares acadêmico, religioso e artístico, se revelou na dimensão esportiva. São incontáveis os títulos conquistados nas diversas modalidades. Por meio do talento e dedicação de quatro atletas, uma modalidade, em especial, vem se destaca e chama atenção, a ginástica rítmica. Por trás da leveza, do ritmo, da graça e beleza dos movimentos, estão o esforço, a disciplina e a dedicação ao esporte. Dedicação que, preferencialmente, deve começar logo cedo, como começou a aluna do 5º ano, Letícia dos Santos Accioly dos Passos. Com apenas 10 anos, a estudante pratica o esporte desde os seis. Letícia treina cinco vezes por semana, duas horas por dia. “A rotina de treino é muito cansativa, pois inclui aquecimento, preparação física e manejos de aparelhos. Não é fácil, mas tenho consciência de que preciso treinar para me sair bem nas competições”, constata a atleta que, entre as dezenas de medalhas que coleciona, conquistou o 1º lugar no Campeonato Alagoano, 3º no Regional Nordeste (Aracaju) e 7º no nacional (Brasília).

Se o começo é difícil, pode tornar-se ainda mais complicado para quem já está quase no momento de decidir qual profissão quer seguir. Letícia Maya Gomes de Oliveira Silva, atleta de 16 anos com 10 dedicados à ginástica rítmica, além da participação nos jogos escolares da juventude de 2015, tem no currículo a conquista do 2º lugar (conjunto) no nacional de 2012 e 3º no de 2014. A aluna, que cursará a 3ª série do Ensino Médio em 2016, pensa em como irá conciliar o esporte com a vida adulta. “Não pretendo seguir carreira profissional, mas quero fazer o curso de arbitragem em paralelo a faculdade”, afirma a adolescente, que junto a rotina dos treinos, se prepara para o vestibular e para o Enem. “Tento prestar o máximo de atenção nas aulas e nos dias que não treino chego em casa e reviso todo o conteúdo visto em sala”.

Renata Almeida, mãe da estudante Maria Eduarda Arakaki de Almeida, do 7º ano, acredita que a disciplina exigida no esporte se reflete e auxilia na organização pessoal e nos estudos da filha. “Sem dúvidas, a disciplina exigida na GR se estende para a vida de uma forma geral, tanto em casa como nos estudos. Ela é uma menina estudiosa, inteligente e que, apesar dos treinos diários e cansativos, consegue arrumar tempo para os estudos e sempre se destaca pelo bom comportamento e pelas excelentes notas”.

Mas nem só de esforço e disciplina é feita a ginástica rítmica. O que mais atrai as meninas e os espectadores do esporte é a beleza das apresentações que resultam de todo o preparo. Sabrinna Carvalho de Melo, aluna do 9º ano, descreve a sensação e o que se passa todas as vezes em que se apresenta para os jurados e para uma grande plateia. “Quando você coloca o pé na quadra, parece que não existe nada ao redor. É somente você, seu aparelho e o som da música. Seu corpo faz tudo automático e tudo o que acerta parece uma vitória, independente do resultado. A consequência é a medalha, algo material, mas que foi conquistada com muita história e suor. ”

Internacionalidade

Em julho de 2015, as alunas Sabrinna Carvalho de Melo e Maria Eduarda Arakaki de Almeida foram à Bulgária para receber treinamento especial e participar do campeonato internacional Marina Graces. O convite partiu da técnica búlgara Guirga Nedialkova, que, em visita a Maceió, assistiu aos treinos e se impressionou com o potencial das meninas.

Sabrinna, que também já teve a oportunidade de participar de treinos em Portugal, conta o que viu de diferente nas técnicas e cultura das atletas europeias. “É tudo muito diferente daqui. Elas têm muito interesse no Brasil, pois também somos muito bons na ginástica”. A adolescente afirma, ainda, que a viagem à Bulgária a fez ver sua relação com o esporte de forma diferente e que retornou com outra postura. “É um universo totalmente novo, uma experiência única. Aprendi a valorizar mais as coisas, a ouvir mais e a estar sempre disposta a aprender. Isso tudo fez com que eu crescesse como pessoa e como atleta”.

Maria Eduarda Arakaki, ou “Duda”, como é carinhosamente chamada pelas amigas de equipe e professoras, sonha em chegar a Seleção Brasileira e vem se destacando nas competições. A menina também chamou a atenção da técnica búlgara. Com apenas 12 anos de idade e nove de GR, a atleta superou o medo de ir a um país desconhecido sem a companhia da mãe e a saudade (afinal foram quase 15 dias longe de casa). Apesar da pouca idade, Duda mostrou maturidade para absorver todo aprendizado proporcionado pela experiência. “Os hábitos alimentares e a disciplina também me chamaram atenção, mesmo com muitas dores as atletas persistem nos treinos. Aprendi que para ser uma ginasta profissional e uma campeã, temos que ser disciplinadas, focadas onde queremos chegar, concentradas e não desistir mesmo diante de tantas dificuldades.”

Há 15 anos à frente da equipe de Ginástica Rítmica do Marista de Maceió, a técnica Carla Cabús, acompanhou as meninas na viagem. “Para ser uma boa ginasta, a atleta tem que ser disciplinada, flexível, habilidosa no manejo dos aparelhos, ritmada, determinada, se dedicar nos treinamentos e principalmente gostar do esporte, essas caraterísticas encontramos na cultura das ginastas búlgaras”. Cabús considera o maior tempo dos treinos e a interdisciplinaridade com as aulas de ballet e a preparação física, de modo geral, condições indispensáveis para que as atletas possam trilhar o caminho profissional. “A ida à Bulgária foi uma excelente oportunidade para o desenvolvimento das nossas ginastas, pois treinaram e competiram no mesmo ambiente que as atletas da seleção búlgara, uma das melhores do mundo. Além disso, o intercâmbio de conhecimento técnico e metodológico, para mim, foi o que pude trazer como maior experiência.

 Dificuldades

Quando perguntadas sobres as maiores dificuldades e desafios em seguir com a GR, a resposta é unânime: a falta de apoio. As despesas com roupas (collants), equipamentos e viagens para participação em cursos de aperfeiçoamento ficam além do orçamento das famílias, que convivem com a ausência de incentivos e patrocínios. Letícia Accioly, apesar da pouca idade, já sentiu a realidade de perto e enfrentou o desafio de ir em frente com o sonho, mesmo diante de várias dificuldades. “No Campeonato Regional deste ano, realizado em Aracaju, não tive condições financeiras de ficar hospedada junto com a delegação do Marista. Fiquei alojada em uma casa no município de Laranjeiras, a 10 quilômetros do local da competição, sem nenhuma condição de descansar. Mesmo diante de tantas dificuldades, fiquei em 2º lugar no aparelho bola, 4º em mãos livres e conquistei o 3º lugar geral, sendo a única atleta do Marista classificada para ir ao Campeonato Nacional, em Brasília.”

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