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“Não se mata por amor, se mata por ódio”, é o que afirma a juíza Theresa Karina de Figueiredo, que assessorou a última edição do Chá, Café e Prosa de 2016, ocorrido ontem (25/11), e que teve como apelo a proteção da vida das mulheres e o feminicídio. Além da juíza do Tribunal de Justiça do DF e Territórios, também palestrou aos participantes a cineasta e professora da Universidade de Brasília/UnB, Erika Bauer, que abordou a exposição equivocada do feminino nos veículos de comunicação e no cinema. O encontro ocorreu no CCB/Centro Cultural de Brasília e foi promovido pelos Maristas e pelos Jesuítas.
O enfraquecimento da imagem feminina é, segundo a juíza Theresa Karina, o motivo que nos leva a sermos representados por uma maioria política de homens. Para uma democracia com menos de 10% de mulheres ocupando cargos eletivos, essa situação se reflete em todos os outros setores da sociedade. “Não podemos falar de feminicídio sem falar dos outros contextos que nos conduzem a esta triste realidade. O Brasil é uma sociedade violenta, que também é um fenômeno mundial. Ninguém está resguardado, pois de uma forma ou outras esta violência atinge a todos nós. Ou percebemos nosso papel na sociedade ou também seremos vítimas dessas violências”, afirmou a magistrada.
Comparando a mídia brasileira a de países escandinavos, a professora Erika Bauer delineou grandes produções do cinema nacional apontando as falhas da abordagem midiática do feminino. “A apresentação da imagem do feminino é equivocada. Os grandes filmes de nosso cinema, em geral, expõem mulheres em papéis degradantes. Poucos foram os filmes nos últimos anos que abordaram a complexidade das relações, que fortaleceram a participação política e social de mulheres e o protagonismo feminino”, afirmou Erika.
O assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher é tipificado como feminicídio e tem entre as motivações mais comuns o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres. Segundo as palestrantes, os meios jornalísticos comumente abordam o feminicídio como “crime passional”, travestindo a violência e o crime como algo romântico. “Precisamos descontruir os discursos que enfeitam as violências. Esses crimes são decorrentes do ódio, do desrespeito. Precisamos derrubar as máscaras que encobrem a verdade e desnudar a triste realidade do feminicídio no Brasil”, concluiu a juíza Theresa Karina.

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