Conteúdo é tema de abordagem interdisciplinar

A Idade Média foi tema de aula coletiva na perspectiva da História, das Ciências, da Geografia e da Redação. O conteúdo foi apresentado pelos professores Henrique Martins, Luiz Eduardo Stancioli, Cristina Barros, José Márcio, Celeste Braga e Luciana Buccini aos estudantes do 7º ano do Ensino Fundamental, com o título “Crise medieval: fome, peste e trevas”. A discussão sobre a crise do século XIV foi conduzida a partir de três abordagens complementares: contextualização histórica e pensamento medieval; urbanização e ação antrópica; epidemias e saneamento.

O professor de História, Henrique Martins, explica que a partir da análise do impacto das novas técnicas agrícolas no revigoramento comercial e urbano medieval, o enfoque se estendeu para a compreensão dos impactos ambientais causados pelas ações do homem no planeta. Nesse contexto, o entendimento das formas de proliferação de epidemias e das precárias práticas de saneamento e higiene contribui para uma compreensão mais abrangente da crise que assolou a Europa nesse período. “A ideia é ter o século XIV como contexto histórico, embora a análise geográfica e biológica extrapole esse recorte temporal, a fim de problematizar com os educandos as relações entre o homem e o meio ambiente no período contemporâneo”, descreveu Henrique.

A professora de Geografia, Cristina Barros, enfatizou sobre a produção do lixo e a proliferação de doenças, evidenciando a Peste Negra no período, associada à falta de higiene e aos métodos precários de medicina da época. “Na geografia, nós tratamos a questão do lixo desde a pré-história, fazendo um paralelo com a Revolução Industrial e chegando até os dias atuais, levando em consideração os 3 Rs da sustentabilidade (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) e a urbanização, no contexto do século XIV. Refletimos sobre como as cidades eram organizadas socialmente e o que observamos de diferença nos dias atuais”, destacou Cristina.

O professor de Ciências, Luiz Eduardo Stancioli, reafirmou aos alunos a importância dos comportamentos de higiene, relacionando-os à questão saudável e, sobretudo, à necessidade do saneamento básico como forma de prevenção às diversas formas de transmissão de doenças. “Sempre existiram várias causas de doença, mas o que não havia nesse período era uma medicina preventiva ou de tratamento, porque a Igreja tinha um poder muito forte e era uma heresia fazer qualquer procedimento nesse sentido, o que contribuiu, junto à fome e às guerras, para o colapso do período medieval”, completou Stancioli ao comentar que com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, hoje temos condições de prevenção, porém, ainda encontramos quadros de epidemia, mesmo com uma medicina mais avançada.

O método de avaliação estabelecido coletivamente foi a produção textual, um texto narrativo, sob a perspectiva de um personagem que faz uma viagem no tempo. “Para essa narrativa, eles terão de apresentar alguns aspectos do século XIV, que estão ligados à Idade Média, e também a questão da urbanização. O personagem é um estudante universitário da área da saúde com noções em doenças urbanas e terá de aplicar o seu conhecimento ao contexto do período medieval”, descreveu Buccini. A nota da redação valerá para as cinco disciplinas, proporcionalmente e de acordo com a distribuição de pontos de cada professor.

 

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