cabecalho_especial01

 bot-cap2-des bot-cap3-des

REPORTAGEM: Amanda Ribeiro, Chirliana Souza, Oniodi Gregolin.
FOTOS E VÍDEO: Cristiano Giamarco/ Banco de Imagens da PMBCN
PROJETO GRÁFICO: André Carvalho

capitularomper com as práticas tradicionais pedagógicas e promover novos caminhos e jeitos de fazer educação. A inovação saiu do universo das empresas e atingiu o contexto escolar como forma de aprimorar a gestão, o currículo, o ambiente, a metodologia e as relações humanas. Que o diga São Marcelino Champagnat, quando, no século 19, ao iniciar a missão educativa, redirecionou o olhar da época para crianças e jovens empobrecidos do campo e trouxe para a pedagogia o sentido de família, fé, presença e afetividade, ainda distantes entre educadores e estudantes.

Sem saber, o fundador do Marista, na França, atuava na vanguarda do que o Ministério da Educação/MEC trabalha hoje no Programa de estímulo à criatividade na educação básica, que prevê como inovação e criatividade ações que promovam o desenvolvimento integral, a partir do aspecto multidimensional humano – ético, afetivo, social, cultural e intelectual; a corresponsabilização na construção e gestão do projeto político-pedagógico, espaço compatível com novas práticas educativas, com ambiente físico e acolhimento daquilo que manifeste a intenção de educação humanizada, potencializadora da criatividade e da convivência enriquecedora nas diferenças.

olho1

Dentre os destaques da proposta pedagógica e pastoral Marista, estão a formação integral voltada para os valores cristãos, a presença significativa dos educadores no processo de ensino e aprendizagem e a centralidade e valorização dos sujeitos da educação. Para 2017, os segmentos da educação básica terão como novidades, respectivamente, o lançamento dos documentos Educação das Infâncias e Diretrizes da Educação Infantil, pela União Marista do Brasil/Umbrasil, para o processo de estudo e implantação nas Províncias; o início do Sistema Marista de Educação de Ensino Religioso e a viabilização do Sistema Marista da Educação para o 2º ano do ensino médio.

Está prevista, também, formação continuada para as equipes técnicas das unidades a fim de potencializar o acompanhamento pedagógico, com curso para coordenador de área, orientador educacional e coordenador pedagógico e encontros formativos para diretores, vice-diretores educacionais e coordenadores de pastoral. A proposta é qualificar os processos educativos em sinergia entre si, estudantes, familiares e educadores.

As iniciativas, para além dos muros das unidades, dialogam e contribuem ao ensino, à aprendizagem e evangelização. “Tanto o Sistema Marista de Educação quanto os documentos da UMBRASIL, em especial o Projeto Educativo e Matrizes Curriculares, expressam as intencionalidades da Pedagogia Marista para formar cidadãos e estudantes autônomos, críticos e com excelente formação a partir das competências acadêmicas, ético-estéticas, tecnológicas e política”, lembra a coordenadora da Gerência Educacional/GE da Província Marista Brasil Centro-Norte/PMBCN, Deysiane Pontes. Ela menciona, ainda, que o tema da inovação nas práticas pedagógicas é tratado diretamente pelas unidades a partir dos eixos interdisciplinaridade, letramento crítico, neurociência e tecnologias educacionais.

Dentro da perspectiva pastoral, os projetos e as iniciativas são inspirados no contexto social das crianças e jovens, em profunda sintonia com o universo que extrapola a ambiência escolar. Na percepção do coordenador de pastoral da PMBCN, Ir. Paulo Henrique Soares, a grande contribuição deles está na vivência da fé em constante relação com as questões sociais, políticas e religiosas do nosso tempo. Como observado em projetos como a Missão Marista de Solidariedade e a Pastoral Juvenil Marista. “A participação dos estudantes nos grupos ou em atividades pastorais isoladas contribuem para que, na dinâmica do ensino aprendizagem, eles sejam capazes de pensar o mundo e articular os saberes sem desconsiderar o dado da fé”, destaca o Irmão.

olho2

O coordenador de TI do Colégio Marista Pio XII, em Surubim, Daniel Andrade, é exemplo de que, com criatividade, é possível realizar projetos que incentivem e encantem os educandos para o conhecimento. De 1º a 5 de fevereiro deste ano, ele levará grupo de 13 adolescentes maristas em caravana para o Campus Party, em São Paulo, onde apresentarão a versão conceitual do projeto Sustenta Bike. No maior evento de experiência tecnológica do mundo, que une jovens em torno de festival de inovação, criatividade, ciências, empreendedorismo e universo digital, o grupo demonstrará como gerar energia limpa ao pedalar, a partir de materiais sucateados de impressoras usadas. O projeto, implementado em 2016 por Daniel, na aula de Robótica, demorou um mês para ficar pronto. O tempo foi dedicado à realização de pesquisas e ao planejamento. Para a montagem da bicicleta, em uma semana, foram utilizados motores de impressora, ligação em série dos fios (positivo e negativo) para soma das potências que, juntas, geram 24 volts.

“Os estudantes passaram a ver a tecnologia como possibilidade de carreira profissional, por exemplo, na área de sistema de informação para soluções em saúde. Como somos do interior, sem instituição de ensino superior na cidade, isso gera novas perspectivas de futuro aos meninos”, esclarece Daniel. E as ideias não param por aí. Outros estudantes já trabalham em protótipo de aplicativo que auxiliará no controle de água em caixas d´água, que será apresentado no evento Expotec, em março de 2017, na cidade de João Pessoa/PB.

Outras iniciativas são empreendidas pela Gerência Educacional para o aprimoramento dos recursos tecnológicos a serviço da educação. A exemplo dos laboratórios móveis, em que os educadores utilizam Ipads e Apple TV para a exibição de áudios e vídeos simultaneamente, sem fio, além de apresentar conteúdos digitais. Os ambientes de integração se somam à lista, voltados para aproximação entre professores e estudantes, com a disponibilização de web-aulas, fóruns de discussão, provas on-line, agenda de atividades e demais recursos que facilitem a interação, o acesso à informação e a aprendizagem. “A plataforma pode ser acessada pelo aplicativo, tanto pelos estudantes quanto pelos pais, a qualquer hora. A nova versão será lançada, em breve, com facilidades para a produção audiovisual, chat com número ilimitado de participantes e responsividade”, explica o analista da GE que acompanha os projetos, Flávio Mariz.

Na visão de Mariz, os recursos tecnológicos despertam para novas descobertas, geram maior diálogo entre docentes e discentes, possibilitam aulas atraentes, motivam a troca de experiências e possibilitam ao estudante aprender e ensinar. Nesse processo, a parceria entre tecnologia e material didático tende a ser promissora. É o que garante a professora Ângela de Abreu, coordenadora do ensino fundamental II no Colégio Marista Champagnat, em Taguatinga/DF.

De acordo com ela, a utilização da internet potencializa os livros didáticos e paradidáticos como materiais de estudo e auxilia nos projetos escolares. “Hoje existe a utilização de tablets para a projeção do livro didático e materiais complementares fornecidos pela editora FTD, que já disponibilizou, ao longo de dois anos de parceria no projeto Athos, atendimento e treinamento aos educadores, conhecendo e diversificando as metodologias do ensino com o uso dessa ferramenta tecnológica”, lembra a coordenadora.

Na unidade há, ainda, no processo de transição do sexto ano, o acolhimento dos estudantes com o componente curricular de iniciação científica, onde a educadora desenvolve, nos mecanismos de aprendizagem, a utilização de recursos tecnológicos como fonte de pesquisa e investigação/estudo, o ensino sobre a confiabilidade de sites e como elaborar trabalho de acordo com as normas da ABNT (Agência Brasileira de Normas Técnicas).

Em Belém, a inovação chegou às aulas de Física. Com formação em efeitos especiais, o professor da área, Daniel Marques, do Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, utiliza o cinema 4D e 3D Max para fazer animações em sala. Com a realidade aumentada, os alunos visualizam as animações e as explicações mais complexas, com o apoio da apostila e dos próprios celulares. “Eu passei a criar conteúdo e compartilhar com os estudantes. Tenho um site onde eles podem acessar o material e fazer exercícios. Também coloco as apresentações em power point, que seguem a métrica da SOAP (State of The Art Presentations). Em vez de utilizar o datashow apenas como um apoio, ele me ajuda a interagir com os alunos, mas sempre pensando em uma história, em um enredo para que a aula possa se desenvolver”, explica.

Como resultados da metodologia, que deve ser cuidadosa e ter sentido e foco, o professor sinaliza a melhoria nas avaliações, maior interesse na disciplina e interatividade dentro e fora da sala de aula.

Atividades extracurriculares – Em relação ao papel do método de ensino e das atividades extracurriculares como diferenciais maristas para o processo de aprendizagem, há o serviço prestado pelos Serviços de Escolinhas e Treinamento Esportivo (Sete) e de Arte e Cultura (Seac) nas unidades. Eles potencializam a formação dos estudantes ao desenvolver as habilidades nas áreas artística e esportiva, em complemento ao currículo.

Dentre os critérios para a escolha das atividades extracurriculares e como conciliá-las com a rotina de estudo, Deysiane Pontes explica que o principal foco é respeitar a escolha do estudante a partir do desejo de desenvolver alguma dimensão específica ou projeto futuro. Outra possibilidade, segundo ela, é ver quais habilidades a atividade pode aprimorar no educando a partir das dificuldades que apresenta.

“A rotina de estudo, quando é bem pensada e planejada, não é afetada pela atividade extracurricular, que pode, inclusive, fortalecer aspectos de socialização, trabalho em equipe, capacidade de concentração e atenção, corporeidade e postura de estudo”, lembra Deysiane. De acordo com ela, cabe destacar que as unidades maristas dispõem de orientador educacional para auxiliar educandos e famílias no estabelecimento de rotina e métodos de ensino, conforme a necessidade.

Para o Irmão Paulo Henrique Soares, a chave para conciliar as atividades pastorais realizadas no horário contraturno na rotina dos estudantes é o planejamento, não só das equipes pedagógicaspastorais, mas das famílias. “Elas precisam assumir com a escola a missão de educar e evangelizar”, lembra.

box1

Iniciativas e recursos que potencializam a educação marista:

box2