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REPORTAGEM: Amanda Ribeiro, Chirliana Souza, Oniodi Gregolin.
FOTOS E VÍDEO: Cristiano Giamarco/ Banco de Imagens da PMBCN
PROJETO GRÁFICO: André Carvalho

capitularO nascimento de uma criança marca tempo de amor e esperança em família. Pequeno e frágil, o novo integrante traz em si potencialidades para trilhar a missão em sociedade e é fonte de amor. Para os cristãos, esse momento tem significado ainda mais especial, com a chegada do Menino Jesus. Símbolo de renovação, desde o início, foi exemplo do que veio ensinar, simplicidade e humildade. Assim, a vinda dele entre nós se deu em estrebaria, ao lado dos pais, na manjedoura, com animais, os pastores e os reis magos como testemunhas. A cena marcante, e o sentido para a humanidade, é celebrada anualmente no Natal, na noite do dia 24 para 25 de dezembro.

A vinda de Jesus tocou, de maneira tão intensa, São Francisco de Assis que, em 1223, foi o autor da primeira reconstituição do momento em presépio. Desejava ver com os olhos do corpo a pobreza na qual o Menino Jesus veio ao mundo, conforme relato de Israel Nery, na obra Natal- teologia, tradição, símbolos. Em Greccio, pequena cidade da Itália central, idealizou a representação, como forma de visualizar e sentir a emoção, além possibilitar a catequese a partir das imagens. A proposta ganhou o mundo, assumiu contornos culturais e étnicos, e inspirou também Marcelino Champagnat, fundador do Instituto Marista há quase 200 anos. “Ah, meus Irmãos, exclamava numa instrução sobre essa festa, contemplem Jesus deitado no presépio, carente de tudo; estende as mãozinhas convidando-nos a nos aproximar dele, não para nos fazer participar da sua pobreza, mas para nos enriquecer com seus dons e suas graças” (Vida, p.303), lembrava Champagnat ao olhar o “pequeno”.

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No Marista, o presépio ainda hoje é presença nas ações institucionais. Ele é o primeiro dos três lugares que, segundo Champagnat, seriam especiais para o encontro com Jesus. Eder D´Artagnan, coordenador de Animação do Laicato da Província Marista Brasil Centro-Norte esclarece a história. “Isso remete ao Evangelho de Mateus, quando a mãe de João e Thiago, que foram os primeiros discípulos, chega para Jesus e pede: ‘Senhor, quando começar o seu Reino, garante para meus filhos um lugar à direita e outro à esquerda?’. Isto é, eles queriam ocupar um alto cargo no Reino de Deus e Jesus diz que a lógica não era por aí. Champagnat retoma este texto e fala: ‘diferentemente da mãe de João e Thiago, eu não quero para os meus Irmãos Maristas um lugar, eu quero três, o presépio, o altar e a cruz, onde a gente se encontra e fica mais próximo de Jesus”.

O documento Em torno da mesma mesa: a vocação dos leigos maristas de Champagnat, no item 106, também, confirma o posicionamento do fundador. “A encarnação do Cristo, o presépio, ensina-nos a partilhar as alegrias e os sofrimentos da nossa gente no mundo, a voltar ao essencial, adotando um estilo simples de vida, a admirar as crianças e a descobrir, em sua fragilidade, o rosto de Deus”. De acordo com D´Artagnan, no século 19, havia a ideia do Deus do medo, poderoso, juiz, que castigava. E Champagnat volta  ao presépio para dizer “Não tem como ter medo, ele se faz criança, nos chama à ternura e mora dentro de nós”.

De acordo com a publicação Água da Rocha, aos pés da Cruz, o segundo lugar, surpreendemo-nos com um Deus que nos amou sem reservas. Penetramos no mistério do sofrimento que redime e aprendemos a humilde e  fidelidade do amor. O Altar, por sua vez, com a Eucaristia, é o local privilegiado de comunhão com o Corpo de Cristo: para ser um com todos e aprofundar a nossa relação, com a presença viva Dele entre nós.

No itinerário laical da Província Marista Brasil Centro-Norte, o presépio passou a ser utilizado na formação, a partir das dimensões humana, cristã e marista. Segundo o coordenador do Laicato, falar do presépio humano é lembrar da Belém pessoal de cada um de nós. Onde nascemos, quem estava em volta? A simbologia, também, remete ao autoconhecimento, para reconhecermos de onde viemos, quem fez parte, o que tem de bom, de positivo, o que precisamos cuidar mais, como isso nos influencia hoje, enfim, o presépio humano está relacionado às nossas raízes pessoais.

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O presépio cristão, assim, na visão dele, nos ajuda a entender o contexto do nascimento de Jesus. Nasce para quem, por que tem diferentes narrativas? Uns falam de pastores, outros de reis magos, outros nem falam. O que isso quer dizer? Em que isso alimenta a nossa fé? Em saber o sentido do presépio de Jesus para a fé cristã. Sobre o presépio marista, por sua vez, na trajetória formativa, conhece-se um pouco mais da história de Champagnat e da fundação do Instituto. Tanto os presépios humano, cristão ou marista falam de começos, raízes, história e como nos influenciam hoje e são vividos no nosso dia a dia.

Os princípios do presépio e do Natal, por consequência, estão presentes na instituição quando cuida-se das pessoas do jeito que elas são, quando o Marista as ajuda a reconhecer a própria história e a crescer, bem como a se sensibilizarem com a fragilidade das crianças, dos adolescentes e jovens, que nascem em contextos muito semelhantes aos de Jesus. “Quando nós nos comprometemos a cuidar dessas pessoas, seja nas escolas, nos colégios, nos centros, nas comunidades, no contato pessoal, tudo isso revela para nós esses princípios do presépio, que tem a ver com o cuidado com a vida”, explica D´Artagnan.

Celebrar a vida – Para o Ir. Natalino Guilherme de Souza, da Comunidade Marista de Taguatinga/DF, o nascimento do Cristo é ainda mais marcante. Depois de receber o nome em homenagem ao Natal, a data sinaliza o reencontro em família e a chance de festejar o aniversário na mesma data que Jesus. “A ocasião em que eu celebro a minha vida, eu celebro a vida que me chamou. Eu me reconheço nascido no mesmo momento daquele que me chama para segui-lo”, menciona o Irmão, que é da cidade de Colatina/ES e atua na União Marista do Brasil/UMBRASIL, em Brasília/DF.

Nesse período, que nos lembra quando a humanidade acolhe esse menino e a história de Deus conosco, seria a oportunidade de nos aproximarmos em nível familiar e de renovação do clima entre as pessoas. “E a felicidade do padre Champagnat é saber que o presépio, ali, é lugar de proximidade com Jesus. Intuitivamente, comungando com a fé da Igreja, nesse grande mistério da encarnação, ele reconhece nesse fato, na fragilidade da criança e nas situações nas quais ela nasceu, que Jesus vem nos falar do novo jeito de viver e de nos relacionarmos com Deus”, explica o Irmão.

Então, o Natal, na perspectiva do Ir. Natalino, diz muito do espírito de fraternidade, porque, segundo ele, somos iguais quando somos irmãos, e esse é um dos propósitos do Cristo. “A meu ver, me marca profundamente entender o mistério da minha vida, dentro do mistério da humanidade e do nascimento do Cristo. É um presente, uma graça, saber que hoje, depois de 20 anos de instituição religiosa, que eu livremente decidi seguir Jesus, isso também é resposta ao presente que ele me deu, de renascer com ele”, destaca Ir. Natalino.

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